23 julho 2011

Adeus DIVA Amy Winehouse

Eu já havia lido esse texto incrível da Fernanda Young há um tempo... e acho que cabe perfeitamente nesse momento.
O texto é longo mas muito verdadeiro.
Não deixe de ver o vídeo no final desse post!



"Quem não tiver uma Amy Winehouse dentro de si que se apresente.
Vai se apresentar para uma platéia vazia, obviamente, pois nessas ninguém está interessado. Mulheres que não admitem a sua dor – aquelas que são perfeitamente esquecíveis – não merecem nenhuma poesia, ou rascunho, ou rápida melodia, pois se recusam a abrir mão do conforto de uma farsa em nome de uma verdadeira vocação: a de sofrer belamente.

O Drummond escreveu que “a dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional”.
Um verso bonito, além de sábio, porém tipicamente masculino. Mulheres não sofrem por opção, sofrem por evolução. Nós sofremos porque percebemos coisas que os homens ainda não são capazes. Talvez, um dia.
Não há, portanto, a mulher que não sofra – há a que não se mostra.
Já que o sofrimento é, para nós, uma espécie de vestido lindo, antigo e bem adornado; um Paul Poiret. À nossa disposição, no cabide. Então usaremos essa roupa, não tenham a menor dúvida. E algumas de nós o farão em público, deslumbrantemente.
Como é o caso da Amy.
Você olha para ela e vê que aquela é sua maior aptidão: existir sob esse manto raro, por vezes sombrio, que a cobre.
Não há nada em Amy Winehouse que não seja genuíno, e isso consegue ser gritante em sua música suave enquanto doce em sua aparência rude.
Atraente e repugnante ao mesmo tempo. Linda e digna de pena.
Ora, pode haver imagem mais explícita da crucial inconstância feminina?
Óbvio que é disgusting vê-la toda borrada, sem um dente, com sapatilhas a lhe denunciar as picadas que dá nos pés. Mas também é maravilhoso vê-la tão pequena, antiga de tão moderna, na medida que só os autênticos conseguem ser, e se equilibrar. Mesmo que essa idéia, a de equilíbrio, não pareça muito adequada à Amy.
Para mim, é. Amy Winehouse é um acontecimento secular, tipo Billie Holliday, Edith Piaf. A gente não tem como exigir higiene, ou conduta, ou senso de preservação, ou auto-estima, dessas mulheres. Seria pedir demais. Como dizer para essa moça o que ela talvez devesse ouvir?
“Ei, Amy, deixe esse cara pra lá, ele não vale tanto a pena.”

“Ei, Amy, faz o seguinte: toma no máximo cinco cervejas quando for ao pub.”
“Ei, Amy, fume seu baseado, mas deixe o resto de lado.”

Imagina a cara que ela iria te olhar?

Pela Amy Winehouse, sinto essa contradição, acho, parecida com a de todas as mulheres.

Eu me identifico com a delinqüente, e a mulherona que cobre o Blake de porrada, mas me preocupo, como uma mãe com uma filha, a ponto de rezar por ela todas as noites.
Uma reza sincera, para que Deus a proteja, igual faço pelas minhas meninas.
Amy, olha só: você é tão jovem...
E quando fico emocionada tenho essa mania, cafona e burra, de usar reticências... Mas não!... Para a Amy Winehouse, não cabem emocionalidades baratas.
A triste junkie que habita em mim não suportaria parecer uma mãezona dócil que faz promessa.

Então, mais uma dose. Por que que a gente é assim?
Por que bad boys são “os fodões” e bad girls são “as fodidas”?
Por que os bad boys são símbolo de liberdade e as bad girls são presas para servir de símbolo? Por que bad boys são assim por rebeldia e as bad girls são assim por sem-vergonhice? Aparentemente, o mau comportamento ficou de fora das conquistas feministas.
Então que seja esta nossa nova luta: pela igualdade de direito de errar.
Direito de fazer o que não se deve. De chegar em paz ao fundo do poço.
Dean Martin, Frank Sinatra, Sammy Davis Jr. e aquele outro, que eu esqueço o nome, bebiam todas, consumiam tudo, comiam qualquer uma – e eram o charmosíssimo “rat pack”.
Britney Spears, Lindsay Lohan, Paris Hilton e aquela outra, que eu também esqueço o nome, bebem uns champanhes a mais, tomam uns analgésicos, dão umas batidinhas de carro – e são as vadias bêbadas e drogadas de Hollywood.
É, o machismo acabou só para as caretas. Para as doidas continua valendo.
Acho, inclusive, que as próprias mulheres têm culpa nesse atraso.
Notoriamente mais competitivas entre elas, não competem apenas com a colega do lado, mas com todas as mulheres do mundo.
De Marilyn Monroe a Anna Nicole Smith, todas morreram sem uma amiga do lado. Por quê? Porque mulheres não são companheiras na sarjeta. Homens são.
Ou seja, encontramo-nos no ponto em que, juntos, chegamos.

Não sei se tem alguém torcendo contra a Amy Winehouse, no momento, mas, se tiver, é mulher.
Eu? Eu torço por ela mais do que pela seleção brasileira." - Por Fernanda Young.

Eu tive a felicidade de vê-la ao vivo aqui em São Paulo! E o momento mais emocionante pra mim, foi quando ela cantou a minha música preferida: Wake up alone.



Ps.: Esse vídeo é o do DVD Live in London (esse também é o momento mais lindo do DVD onde ela canta e olha apaixonada o tempo todo seu amado Blake)

16 comentários:

Thais S. disse...

ótimo texto!

www.relicario-fashion.blogspot.com

casa de fifia disse...

querida obrigado por dividir comigo esse texto.
eu jà tinha vindo aqui mas nunca tinha comentado.
li todo o texto(em 40 minutos)
è que meu filho continuava a chamar me.
e vi o video lindo.
entao grazie.....grazie.

um bacione da italia.

disse...

Bom dia, Carlinha!
Putz, sabe que nem consegui ficar chocada com a notícia? Acho que demorou até ela conseguir acabar com a vida de vez...
Uma pena essas escolhas tortas.
bjs

Mari Sabel disse...

Uma perda irreparavel!!
eu adorava a voz dessa mulher.

bjkas flor, bom domingo.

Saron disse...

É mesmo triste ela ter falecido.Tão nova e com uma voz inconfundivel, belissima.Fica só a saudade e a musica , que era seu legado.Bjos

Geovana Arruda disse...

Ela era intensa...Vou lembrar da Amy como DIVA!!Desjo que agora ela seja livre e tenha paz...ripamy!!BJO

Larissa Ramos Urso disse...

Com certeza perdemos uma das mais belas vozes dos últimos tempos.
beijocasss

Beatriz! disse...

Estava andando por aí, ...

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... cansei e peguei uma carona.

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"=(o)==(o)='

Entrei na seu bloguinho e
dei uma olhadinha!

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Uma passadinha rápida para deixar...

Um Oi e Uma ótima semana e te convidar para participar do meu sorteio, ainda dá tempo, passa lá.
Bjs...da Bia!

Fabiano Figueirêdo disse...

Excelente e reflectiva publicação! Parabéns!!! Copiei e publiquei como nota em meu FB. Se possível, ficaria muito feliz e grato se vc me enviasse o local e a data desta publicação da Fernanda Young. Obrigado. Fabiano Figueirêdo.

CARLA NOVELI disse...

FABIANO FIGUEIREDO, vc não deixou nenhum contato... espero q volte aqui. Esse texto da Fernanda Young foi publicado na edição de maio de 2008 da revista TRIP: http://verd.in/xldm
Espero ter ajudado!
=)

Anônimo disse...

Achei o texto contraditório... Talvez ela não tenha se dado conta do quanto reproduz o que está criticando. Reclamou do machismo aqui: “Por que bad boys são “os fodões” e bad girls são “as fodidas”? Por que os bad boys são símbolo de liberdade e as bad girls são presas para servir de símbolo? Por que bad boys são assim por rebeldia e as bad girls são assim por sem-vergonhice? Aparentemente, o mau comportamento ficou de fora das conquistas feministas.”
Contudo, deu opiniões sexistas afirmando que mulheres são mais evoluídas que homens:
“Mulheres não sofrem por opção, sofrem por evolução. Nós sofremos porque percebemos coisas que os homens ainda não são capazes. Talvez, um dia.”
Depois contrariou a dita evolução feminina afirmando que “... as próprias mulheres têm culpa nesse atraso. Notoriamente mais competitivas entre elas, não competem apenas com a colega do lado, mas com todas as mulheres do mundo. De Marilyn Monroe a Anna Nicole Smith, todas morreram sem uma amiga do lado. Por quê? Porque mulheres não são companheiras na sarjeta. Homens são.” E também com essa frase mais uma vez atribuiu determinada característica/comportamento a um sexo apenas, ausentando-se no outro. Como companheirismo e competitividade fossem determinados apenas pelo o que vc tem entre as pernas. Ora, a única coisa que é determinada apenas pelo sexo no meu entender é possuir de forma natural a facilidade em fazer xixi de pé ou não.
O machismo é antes de tudo um sexismo. Fernanda Young deveria ler “O machismo invisível” de Marina Castañeda ou qualquer coisa da Judith Butler... Aliás, todas nós deveríamos...

Natali

Lidiane Alves disse...

Amy fi e sempre será uma divã, alguém que não pertencia mesmo a esse mundo. Seja feliz agora Amy, agora que você está livre!

Pri disse...

Que música liiiiiiinda! Eu não conhecia... o texto já tinha lido no facebook e adorei! Até postei lá no blog, coloquei os créditos pra ti agora...

beijinhos
http://www.deliriosdeconsumo.com/

Carolina Lima disse...

Carla,
não conhecia esse texto da Fernanda Young e nada melhor do que conhecê-lo ao som de Amy Winehouse.
Um texto magnífico, talvez tão belo por nós, mulheres, nos encontrarmos nele!

Beijinhos,
Carol :)
http://bembemsimples.blogspot.com

Larissa disse...

Amy era maravilhosa, foi uma enorme perda.
Ótimo texto da Fernanda Young!

Beijos, Carla!

Rosane Castilhos disse...

ADOREI CARLA!
NÃO CONHECIA ESTE TEXTO, E AGRADEÇO POR TER DIVIDIDO CONOSCO!
CONCORDO COM A FERNANDA EM GÊNERO, NÚMERO E GRAU!!!
ACHO QUE TODAS TEMOS UM POUCO DA AMY WINEHOUSE, LÁ BEM NO FUNDO!
SOMOS MENOS INTENSAS TALVEZ, O QUE PODE SER BOM, POIS NEM TUDO PODE SER VIVIDO TÃO INTENSAMENTE, ACREDITO ATÉ QUE AS PESSOAS QUE VIVEM TUDO INTENSAMENTE (PRINCIPALMENTE AS COISAS RUINS)VIVEM MENOS TEMPO, ME REFIRO AO TEMPO, POIS QUANTO AS EMOÇÕES, AHHHH, OS INTENSOS EXPERIMENTAM TODAS!
BEIJINHO QUERIDA!

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